Potencial turístico da região é saída para a crise financeira
Quando Descalvado e mais algumas cidades da região perderam o status de 'Município Turístico', provavelmente perderam a grande chance de espantar a crise financeira, que se 'hospedou' na região e que não quer saber de ir embora. Conhecida por suas fazendas centenárias, morros com até mil metros acima do nível do mar e cachoeiras das mais variadas formas e tamanhos, acreditem, a região é bem servida de pontos e locais que despertam o interesse de qualquer um, desde aqueles que apenas querem contemplar uma paisagem bonita e 'voltar mais para si', àqueles que querem praticar esportes radicais, como o rappel e a canoagem, por exemplo. Modelo nesse sentido é a pequena, mas promissora, cidade de Analândia. Quem diria que aquela cidade, de menos de 8 mil habitantes, seria o referencial turístico da região? E é. E sabem o que há lá, em termos de recursos naturais, que não haja aqui? Em termos de locais turísticos, não deixamos nada a desejar para Analândia. Mas, quando pensamos em vontade política, ou, ainda, em termos de visão para empreendimento, então, Analândia tem muito a nos ensinar. A começar por duas agências de turismo encravadas na cidade, que oferecem orientação quanto ao que existe naquele local. Os administradores de Analândia souberam aproveitar bem 'os ovos' que tinham nas mãos, e, fizeram uma bela 'omelete'. Ou seja, os morros, que oferecem uma visão privilegiada para os turistas, que também permitem a prática do rappel e um contato maior com a natureza, a cachoeira localizada nos seios da cidade, e outras que estão mais afastadas, mas que também são muito visitadas por quem conhece Analândia e outros atrativos turísticos. Interessante que, perto desses pontos, há sempre um barzinho, pronto para facilitar a vida de quem quer se aventurar naquilo que Analândia tem de melhor a oferecer: a natureza. Vale ressaltar que há sempre guias hospitaleiros, disponíveis para as caminhadas, e, orientadores para a prática de esportes radicais. A cidade, de uma limpeza invejável, deve empregar pessoas para deixá-la apresentável, e, assim, despretensiosamente, Analândia tem afastado sua crise financeira, seu desemprego, e, a cada final de semana, a cidade vira uma festa.
Quem deve estar festejando a chegada do turismo em Analândia são os que trabalham com construção civil. O setor deve estar em alta lá, porque estão sendo construídas belas casas, de gente que vem de fora fixar residência, ou, ainda, que constrói somente para passar temporadas. E, com isso, mais empregos são gerados. Analândia é uma estância turística que está a apenas 21 quilômetros de Descalvado. A estrada de acesso àquela cidade é um 'show' no sentido de que oferece belas paisagens para quem trafega por ela. Montanhas, formações rochosas e belas propriedades particulares vão ocupando todo o trajeto, transformando-a em mais um atrativo turístico dessa região. Somando-se a Descalvado e Analândia, há Brotas, vizinha de São Carlos, que também é referencial turístico para a região e ainda Itirapina, com a sua represa do Broa. De outro lado, há a estância turística de Santa Rita do Passa Quatro, com as comemorações a Zequinha de Abreu e as festanças italianas. E por que não citarmos a nossa vizinha Porto Ferreira, com suas belas produções cerâmicas, que também tem um potencial turístico imenso, que deve ser aproveitado? Junte-se cinco ou seis cidades, desenvolva-se um projeto, com apoio político de todos os envolvidos e do Governo do Estado de São Paulo, e temos na região um dos pólos turísticos melhor desenvolvido do Estado. Coisa de deixar qualquer cidade turística da região centro-oeste do Brasil de queixo-caído.
Voltamos agora a falar de Analândia e algumas de suas particularidades. A começar pela estrada que dá acesso à cidade, semelhante à de Campos do Jordão. O turista, assim que chega ao local, sente-se convidado a entrar na cidade pelo portal que o recepciona. Vale destacar que em Campos do Jordão nem tem tantos pontos turísticos assim. Trata-se de uma cidade alpina, com 1.600 metros de altitude, enquanto Descalvado está a 700 metros. O local mais bonito de Campos do Jordão a ser visitado é a Pedra do Baú, de onde se vê 4 ou 5 cidades, como Jacareí, ou São José dos Campos. Mas é longe da cidade de Campos do Jordão. Apenas a título de comparação, muito mais perto é Descalvado do morro do Camelo, em Analândia, do que Campos do Jordão da Pedra do Baú. E desse morro também se vê 4 ou 5 cidades à noite. Como se percebe, tudo é questão de aproveitamento.
Uma vez no Município de Analândia, o turista tem 3 cachoeiras de visitação pública e 2 em propriedades particulares. Os morros de Analândia mais famosos são os do Cuscuzeiro e do Camelo. No último final de semana, com uma temperatura na casa dos 12ºC, havia gente praticando rappel, a vista de todos. Por que aqui não poderia ser assim? Temos, por exemplo, o morro que deu origem ao nome de Descalvado. Há ainda o Morro da Janelinha, que poderia ser usado para passeio por meio de uma trilha. Apenas para se citar um exemplo: o morro da fazenda São Sebastião do Paraíso, que deve ganhar um Cristo Redentor – dali, se tem uma visão privilegiada de toda a cidade, e, ainda, à noite, de outras cidades da região. Há que se entrar em entendimento com proprietários de locais que podem ser explorados turisticamente pelo Município; temos o Salto do Pântano e o Salto do Gasoso, há ainda a Cachoeira dos Índios e o 'Paraíso', nome dado ao local próximo ao Portal, onde há o estancamento de água do lençol subterrâneo, transformando-o num belo local, que faz jus ao nome. Analândia não tem um rio como o Mogi Guaçu, que pode servir de turismo para navegação. Nós temos.
Há, ainda, o Castelo de Almansa, que só nós temos, e, duas fazendas-hotel (que não tem em Analândia) e outros atrativos que não estão sendo explorados. Assim, estamos 'dando mole' para a crise financeira mesmo. Nada acontece porque nada se faz para acontecer. Voltamos a insistir no assunto do turismo porque entendemos que essa é a saída para o desemprego. O turismo está em alta no mundo. As pessoas visitam outros lugares, dispostas a deixar seu dinheiro. Exemplo é quando vamos às praias. Lá é tudo mais caro, mas, a gente não se incomoda de pagar, 'porque compensa o gasto'. E não compensa valorizarmos o que temos aqui, para que o praiano saia de sua rotina e venha deixar aqui 'o seu rico dinheirinho'? É só uma questão de ponto de vista – e de vontade política.